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Fingir demência é estratégia de sobrevivência no carnaval

Soltos S.A.

19/02/2020 04h00

"Tô meio enrolada com um cara, começamos há menos de um mês. To curtindo ele e as coisas tão rolando legal. Mas…. carnaval chegou. Ele é beeem carnavalesco. Os bloquinhos estão aí e nenhum dos dois tocou no assunto. Se eu flagrar ele beijando outra, como proceder?"

É claro que ninguém gosta de ver a pessoa com quem a gente está saindo beijando outra pessoa. Saber que ela está falando com outras ao mesmo tempo também é daquelas coisas que a gente prefere não ver — ainda que pode ser que a gente também esteja interagindo com outros paqueras numa lógica "multi-tasking", afinal estamos na era dos contatinhos.

O famoso combo orgulho ferido + raiva + sensação de falta de cuidado faz com que, em casos de flagrar uma "puladinha de cerca" (se é que podemos chamar assim, já que não há nada definido), a gente acabe colocando um ponto final em histórias que estão só começando.

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E o povo já anda desfocado na vida real – uma pesquisa australiana descobriu que as pessoas conversam em média com seis crushes ao mesmo tempo. Ou seja, se você está falando só com um,  tem alguém falando com doze! Imagina como essa interação se multiplica no carnaval?

Vem aqui uma dura questão: Como proceder no caso de flagra indesejado ?

 

Esse texto é um convite pra você agir diferente nesse carnaval 2020. Não dizem que carnaval é a época de se permitir de brincar e descobrir outros lados nossos? Pois bem, por que não aproveitar esse carnaval pra fingir demência? Sim porque na vida de solteiro em tempo de likes fingir demência é estratégia e através dela você pode até conseguir a sua conchinha do inverno.

Passo-a-passo das estratégias de demência:

1. Assuma um período de carência

Plano de saúde não tem um mês de carência? Estamos propondo aqui um plano de carência em prol da sua saúde emocional. Encare o carnaval como um período de pausa, de respiro, desse crush que está só começando.

Se você já está saindo com alguém e essa pessoa está dando sinais que quer ficar mais solta no carnaval, deixa ela ir. Não leva pro pessoal. Todo mundo precisa de alguns dias e descompressão e é melhor que eles sejam no carnaval do que durante seu aniversário.

2.Novos blocos, novos ares

Se vocês decidiram não passar o carnaval juntos, não fique tentando encontrar o crush "por acaso". Que atire a primeira pedra quem nunca ficou stalkeando o peguete pra saber em que bloco ele ia para "por acaso" convencer as amigas de ir exatamente nesse mesmo bloco. Já rola a projeção de um encontro mágico em meio à purpurina. Só que a realidade pode ser bem diferente da imaginação. Se o bloco for grande, a chance de você passar o dia todo caçando a fantasia de pirata e terminar a ver navios é altíssima. E se o bloco for pequeno vai ser mais fácil encontrar o dito cujo mas os riscos de surpresas indesejadas aumentam exponencialmente.

 Com esse bando de blocos na cidade, porque não dar uma chance pra conhecer batuques diferentes? Já começa seguir aqueles perfis de Instagram de blocos secretos; se enfia nos famigerados grupos de WhatsApp carnavalescos cheios de amigos de amigos e se joga em novas folias. O clichê de que "o que os olhos não veem, o coração não sente" é clichê, mas ainda é verdade.

 3.Evite contato visual.

Não seguiu a dica anterior, foi num bloco, e flagrou a pessoa que você está saindo beijando outra? Nada de barraco à la novela das oito. Pra não criar climão a melhor estratégia é sumir na nuvem de fumaça momentaneamente. Viu o peguete com outra? Se esconde atrás de um estandarte de Sacolé, vai sambar perto da bateria e aproveita pra fazer aquele xixi e beber mais uma água.

Quando a gente finge que não vê, facilita deixar as coisas passarem e evita a necessidade de DRs e saias-justas futuras. Pode ser que mais pra frente vocês se cruzem no bloco sozinhos e acabem ficando. Por que né, quem nunca? 

4.Se não rolar casalzinho, tudo bem

Encontrou o crush em meio à bagunça e rolou beijo? Delícia. A gente sabe que o carnaval tem dessas magias: as pessoas estão mais afetuosas e esse clima todo as vezes acaba rendendo atmosferas de romance. Até pode ser que vocês queiram passar o resto do bloco juntos, mas pode ser que um dos dois queira seguir o bloco. E tá tudo certo.  Não leve isso como uma rejeição, nem se sinta desprestigiando o coleguinha caso seja você quem queira dar uma volta.

5.Carnavalize também

Ao invés de focar toda energia em tentar saber se as pessoas que você está pegando está saindo com outras pessoas, por que não canalizar essa atenção pra montar looks incríveis e acompanhar os bloquinhos quilômetros afora? Aproveite esses dias e se permita. E a permissibilidade não é só pegação (mas pode ser se você quiser. Deu vontade de beijar. Vai sem culpa!). Carnavalize dançando muito, fazendo amizade com gente desconhecida, se fantasiando de coisas que você sempre quis se fantasiar, curtindo mais seu corpo sendo mais leve. Isso tudo faz um bem pra alma e vai te recarregar de maneiras que você jamais imaginava. 

6.Se você for flagrada… o combinado não sai caro.

Passamos parágrafos falando sobre como proceder no caso de interceptar seu crush beijando alguém, mas a verdade é que pode ser você quem vai ser flagrada carnavalizando. Se isso acontecer, nada de se sentir culpada. Já que vocês não tinham nenhum acordo, o combinado (ou não combinado) não sai caro. Não deixe a voz daquelas amigas moralistas contaminarem seu carnaval com opiniões machistas e retrógradas como "ah, agora ele vai entender que você que não tá querendo nada sério. Que você tá na farra". Realmente você está na farra. Ele também. E não é pecado nem maldição nenhuma. Menos moralismo, mais deleite, por favor 

7. Metralhe o "oi sumido" sem medo na quarta-feira de cinzas

Nada de joguinho pós-purpurina.  Não dizem que o ano começa pós-carnaval? Pois bem, encare essa volta como um recomeço, chame pra um programinha e vá de peito aberto.

Depois de tanto sol na cabeça e horas em pé, uma proposta que inclua sofá, filminho e comida boa são altamente atraentes. Convite pra assistir os ganhadores do Oscar é um ótimo gancho e pode render date com amasso e papo cabeça.

Ao reencontrar o crush, muito importante: não pergunte o que você não quer saber.

Nada de fazer uma acareação perguntando quantas pessoas ele beijou, por onde ele saiu, quando ele dormiu ou não dormiu em casa. Deixei o carnaval pra lá e confia na conexão de vocês. O que acontece no carnaval, fica no carnaval.

 

Se você quer saber como sobreviver à solteirice em tempos de likes para além dos dias de folia, segue a gente no youtube e no instagram. Toda semana a gente entrevista solteiros, especialistas e divide nossos aprendizados e teorias.

Segunda e quarta estamos por aqui! Manda histórias, questões, dilemas que a gente transforma em pauta!

Sobre os autores

Piranhas românticas, André e Carol são experts em solteirice e partidários do afeto mesmo nas relações casuais. Carol está solteira há 6 anos e já não troca a aula de hot yoga por um date mais ou menos. André está solto monogâmico mas já se esbaldou muito na vida de contatinhos. Publicitários e roteiristas, trabalham com comportamento e conteúdo há anos e decidiram se aprofundar no tema que é assunto da manicure à terapia: como se relacionar hoje em dia. Comunicadores, puxam assunto até com o poste e são formados como psicólogos de boteco. Há um ano eles conversam com todo tipo de solteiros e especialistas no soltos s.a. um canal de youtube, instagram e, agora blog, pra explorar as dores e delícias dessa vida solta. Ninguém entende de solteirice como eles: já foram convidados pra falar na Casa TPM, na GNT e no podcasts Mamilos e Sexoterapia (aqui em Universa).

Sobre o blog

Um espaço para trocar estratégias para sobreviver à solteirice e aos relacionamentos em tempos de likes. Quando vale ter uma DR e quando podemos deixar morrer no silêncio? O que significa esse emoji? Assistir stories significa? Experts em solteirice e ótimos psicólogos de boteco, André e Carol compartilham dilemas reais de solteiros e mapeiam possíveis caminhos para não perder a sanidade mental nessa era de contatinhos.

Soltos