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O amor dele me sufoca! Por que é tão difícil dizer que preciso de espaço?

Soltos S.A.

19/08/2020 04h00

Mulher tenta tomar café e o namorado está atrás tentando chamar atenção

Fonte: freepik

Em um mundo cada vez mais difícil de encontrar o amor, parece que quando o destino nos presenteia com alguém dedicado e carinhoso temos que jogar as mãos pros céus e agradecer, sem reclamar de nada. Mas e quando o afeto é tanto, mas taaanto, que sufoca? A verdade é que "o remédio que cura, também pode matar, como água demais mata a planta"

Foi o que aconteceu com uma solta que escreveu no inbox do Soltos SA. Depois de se separar, reencontrou um crush de 20 anos atrás e logo no primeiro encontro ele a pediu em namoro. Ela, que tinha sido muito a fim dele na juventude, contou que sentia como se fosse "um sonho se tornando realidade". Reencontro mágico e amor à primeira vista! Mas o sonho dourado não durou muito e ela nos escreveu acordando de um pesadelo. 

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Crush Felícia

O novo namorado da nossa solta era muito afetuoso, mas MUITO MESMO. Dessas pessoas que gostam de ficar grudados 24h: beijam a cada cinco minutos, conchinha a noite toda e até reclamava com ela se ela tomasse banho sozinha, porque ele gostava de tomar banho com ela. Apelidamos ele carinhosamente de Crush Felícia: aquela menina ruivinha que vivia sufocando os animais de tanto amor no desenho Looney Tunes. Pra quem não tem essa referência anos 90, coloco uma cena que ilustra bem o sufocamento que nossa solta sentia:

Ela chegou a se posicionar algumas vezes, com jeitinho, dizendo que precisava do espaço dela… Mas nada de mudanças do namorado. Foi só quando ela explodiu, jogou a M no ventilador e colocou o ponto final na história, que o Crush Felícia disse que ela nunca havia dito com tanta clareza. E eu fiquei me perguntando, como a gente coloca com clareza que precisamos de espaço sem jogar um balde de água fria na relação? E por que isso é lido como uma rejeição?

"Então você não me ama tanto assim…"

Eu mesmo já escutei isso de namorado simplesmente porque disse que preferia ficar sozinho lendo um livro em um domingo à tarde. Existe uma ideia absurda propagada pelo amor romântico de que quanto mais amamos, mais queremos ficar grudados com nosso mozão. Nessa lógica, desejar ter seu espaço ou, como no caso da nossa Solta, tomar banho sozinha, é lido sempre como um sinal de menos amor. E isso está tão internalizado que a gente começa a se culpar por não conseguir "amar tanto quanto a pessoa". 

"Hoje consigo ver que me submeti a muita coisa por achar que era porque ele me amava muito"

Vale sempre lembrar que culpa não combina com amor porque ela é a porta de entrada pra muitos relacionamentos abusivos, então melhor evitar! Mas eu mesmo já achei muitas vezes que estava procurando pelo em ovo, afinal de contas como alguém pode achar ruim "ser amado demais"?

Não tem jeito certo de amar

A questão é que cada pessoa tem sua forma de amar e, pra estar juntos, uma não pode se sobrepor à outra. Não tem régua pra amor e jamais podemos achar que o nosso jeitão no amor é errado! Gostar de estar junto não significa querer estar junto o tempo todo. A psicanálise já fala que a falta é o que move o desejo, então é bom ter de vez em quando uma distância saudável pra gerar aquela saudade gostosa. E quanto mais essa ideia for normalizada, mais relações saudáveis a gente vai ter. 

Soltos monogâmicos

Nós defendemos que as relações precisam se soltar um pouco (e isso não tem nada a ver com a não-monogamia). Tem a ver com preservar as individualidades: ao em vez de de duas metades da laranja que se fundem em uma amálgama, pensar mais em duas laranjas inteiras que coexistem. Então, pra conseguir ser feliz com alguém ao nosso lado, vamos precisar dar uma atualizada na cabeça e no coração. Amores soltos (monogâmicos ou não) vão ser mais leves de carregar e vão se desgastar menos ao longo do tempo. E você, já se sentiu sufocada de tanto amor?

Se você quer saber como sobreviver à solteirice em tempos de likes, segue a gente no YouTube e no Instagram. Toda semana a gente entrevista solteiros, especialistas e divide nossos aprendizados e teorias. Mande histórias e dilemas que a gente transforma em pauta!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre os autores

Piranhas românticas, André e Carol são experts em solteirice e partidários do afeto mesmo nas relações casuais. Carol está solteira há 6 anos e já não troca a aula de hot yoga por um date mais ou menos. André está solto monogâmico mas já se esbaldou muito na vida de contatinhos. Publicitários e roteiristas, trabalham com comportamento e conteúdo há anos e decidiram se aprofundar no tema que é assunto da manicure à terapia: como se relacionar hoje em dia. Comunicadores, puxam assunto até com o poste e são formados como psicólogos de boteco. Há um ano eles conversam com todo tipo de solteiros e especialistas no soltos s.a. um canal de youtube, instagram e, agora blog, pra explorar as dores e delícias dessa vida solta. Ninguém entende de solteirice como eles: já foram convidados pra falar na Casa TPM, na GNT e no podcasts Mamilos e Sexoterapia (aqui em Universa).

Sobre o blog

Um espaço para trocar estratégias para sobreviver à solteirice e aos relacionamentos em tempos de likes. Quando vale ter uma DR e quando podemos deixar morrer no silêncio? O que significa esse emoji? Assistir stories significa? Experts em solteirice e ótimos psicólogos de boteco, André e Carol compartilham dilemas reais de solteiros e mapeiam possíveis caminhos para não perder a sanidade mental nessa era de contatinhos.