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Todos os solteiros estão furando o isolamento menos eu? Vou encalhar?

Soltos S.A.

22/06/2020 04h00

Fonte: dainis graveris unsplash

Sexta-feira à noite. 90 dias de isolamento social. Abro um bom vinho como início do meu ritual quarentênico de autodate: sexta é dia de pijama de flanela recém-lavado, uma boa garrafa de vinho e filme romântico no streaming. Romance, só na Netflix mesmo, por que a minha vida amorosa anda inexistente. Mas, tudo bem, na minha cabeça eu e todos os solteiros do Brasil estávamos juntos nessa seca. Já perdi muitas noites de sono pensando: "Como é que todo mundo tá se pegando e eu não pego nem sinal de wi-fi no shopping?". Agora, essa angústia de que só eu tava fora do jogo finalmente tinha passado. É como se a quarentena nos desse um "vale encalhamento". Sua vida amorosa está às moscas? Isso não é um problema, querida, é um ato de responsabilidade civil!  

E lá estava eu, prestes a me esbaldar com meu vinho quando recebo uma chamada em vídeo. Uma amiga, animadíssima, me confessa que vai furar o isolamento para encontrar um crush com quem ela tem trocado mensagens pelo Instagram. Meio culpada, ela se justifica dizendo que o cara também tá isolado, que ele é amigo de amigos, vegano, que ela é peixes e ele é virgem, signos complementares… Só essa semana ela é a 5a pessoa que me liga com um relato desses. Todos juram que é a primeira furada, juram que estão se cuidando, juram que vale a pena porque a conexão é forte e enumeram desculpas que dariam bons roteiros de filmes como os que eu tenho maratonado. Como proceder?!

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Gente, o combinado não era: nessa rodada ninguém joga? 

Viro minha taça de vinho num misto de raiva, decepção e uma pontinha de inveja. Sou a única trouxa que tá seguindo as regras?! É o tipico jeitinho brasileiro aplicado à solteirice: todo mundo tem atenuantes, álibis e acha que se só eles furarem não vai ter problema nenhum. E, além de certinha, eu sou a única neurótica? Esse povo não tem medo de se contaminar? Ando esfregando álcool gel em tudo e eles já livres se esfregando uns nos outros como se não houvesse amanhã…

Socorro, vou perder o bonde dos carentênicos e ficar forever alone

Já irritada, pauso o filme do streaming e saio pesquisando números sobre a pandemia e a solteirice no Google. Eis que me deparo com uma pesquisa do Happn que me faz virar a 2a taça de vinho: 68% dos brasileiros entrevistados diz que o cenário de isolamento parece estar aumentando o vínculo afetivo entre eles e 75% diz que quer aproveitar o momento para se aprofundar nos encontros. Nessa hora me vem um filme mental de todos os caras que sumiram na nuvem de fumaça;  todos os boys que me falaram que tavam enrolados no trabalho, na família… fechados para o amor. Finalmente esses cretinos resolveram se abrir?! Justo quando eu tô no "banco de reservas" desse pega-pega? E além desses ex-solteiros convictos, já me vi no prejuízo de perder a nova leva de separados que está voltando pra pista. Por que só na quarentena a busca por advogados para separação cresceu 177%. Já comecei a pensar: esses recém-separados não só estão carentes como todo mundo, como também tão sem casa, ou seja, vão estar mais dispostos a já engatar um novo romance. Resultado: todo mundo vai se arranjar e eu vou ficar sozinha chupando meu dedo mergulhado no álcool gel.

Estaria eu perdendo a única brecha de romance nesses tempos de likes? Já entro na pira que esse tal portal do amor vai se fechar e eu vou ficar aqui pra sempre presa no meu Netflix agarrada a um carregamento de vinho. E a minha loucura segue: será que essa janela de oportunidade funciona como ano bissexto? Ou seja, vou ter que esperar pelo menos quatro anos para esses casais quarentênicos se encherem uns dos outros e rolar uma nova  leva de separação e homens carentes dispostos a abrir o coração? Por um lado, ainda bem que eu congelei meus óvulos. Por outro, que raiva me imaginar mais quatro invernos sem conchinha. Meu pijama de flanela é ótimo, mas um pouco de roça roça fixo não faz mal a ninguém, né?

 

Furadores dirão que é recalque. Talvez seja mesmo! 

Sendo 100% honesta, além de toda a minha bandeira politicamente correta, parte do meu incômodo talvez venha pelo fato de eu não estar conseguindo engatar nem três trocas de mensagens virtuais. Já tentei requentar ex-crushes, paquerar em lives dançantes, usar o Tinder mundo, flertar com o vendedor do mercado livre (sim, estava apelando um pouco) mas, nenhum papo seguiu. Achei que tava todo mundo confuso, carente, sem libido. 

Mas essa tal pesquisa do Happn e a chuva de confissões de amigos meus tem provado o contrário. Onde é que esse povo está encontrando pessoas abertas, intensas e interessantes? Cadê esse clubinho? Talvez se eu tivesse tido um desses matches matadores também estaria me besuntando de álcool gel e arriscando minha saúde em nome de um romance promissor! Eu que tava há 90 dias sem entrar na nóia de "o que eu to fazendo de errado pra minha vida amorosa não andar", voltei pra ela com tudo. Abro minha segunda garrafa de vinho e metralho no grupo de whatsapp das amigas "troco indicações de filmes por indicações de crushes. Se alguém tiver um amigo legal ou um primo recém-separado interessante, carente e seguindo a quarentena… to por aqui". Pelo sim ou pelo não… melhor tentar uma brechinha no tal portal.

Se você quer saber como sobreviver à solteirice em tempos de likes, segue a gente no YouTube e no Instagram. Toda semana a gente entrevista solteiros, especialistas e divide nossos aprendizados e teorias. Mande histórias e dilemas que a gente transforma em pauta!

Sobre os autores

Piranhas românticas, André e Carol são experts em solteirice e partidários do afeto mesmo nas relações casuais. Carol está solteira há 6 anos e já não troca a aula de hot yoga por um date mais ou menos. André está solto monogâmico mas já se esbaldou muito na vida de contatinhos. Publicitários e roteiristas, trabalham com comportamento e conteúdo há anos e decidiram se aprofundar no tema que é assunto da manicure à terapia: como se relacionar hoje em dia. Comunicadores, puxam assunto até com o poste e são formados como psicólogos de boteco. Há um ano eles conversam com todo tipo de solteiros e especialistas no soltos s.a. um canal de youtube, instagram e, agora blog, pra explorar as dores e delícias dessa vida solta. Ninguém entende de solteirice como eles: já foram convidados pra falar na Casa TPM, na GNT e no podcasts Mamilos e Sexoterapia (aqui em Universa).

Sobre o blog

Um espaço para trocar estratégias para sobreviver à solteirice e aos relacionamentos em tempos de likes. Quando vale ter uma DR e quando podemos deixar morrer no silêncio? O que significa esse emoji? Assistir stories significa? Experts em solteirice e ótimos psicólogos de boteco, André e Carol compartilham dilemas reais de solteiros e mapeiam possíveis caminhos para não perder a sanidade mental nessa era de contatinhos.